
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Luis Antônio e a irmã
Nessa foto Luis Antônio segura a mão da irmã quando eram crianças.Grande parte da dramaturgia do espetáculo foi desenvolvida a partir dos depoimentos e entrevistas cedidos pela irmã para a Cia Mungunzá.
Muitos dos documentos arrecadados, como fotos, cartas, roupas etc, que ajudaram na criação do espetáculo, também foram dados por ela.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
a infância...de L.A.G.

Luis Antônio nasceu em 11 de julho de 1953. Um belo dia, o pai Paschoal chegou em casa com um bebê no colo e disse para sua mulher Gladys: "Adotei esse menino aqui."
Com 6 meses era louco pelo Papai do Céu no crucifixo, e sabia achá-lo em qualquer lugar.
No dia 19 de janeiro de 1954 ele fez pela primeira vez 'ainci font-font' com o papai.
No dia 30 de janeiro de 1954 nasceu seu primeiro dentinho.
Aos 8 meses não quis mais mamadeiras ou leite de espécie alguma.
Aos 10 meses gostava muito de música e já dava a mãozinha pra dançar.
Em agosto de 1954, com 1 ano e 1 mês, andou sozinho.
Aos 2 anos já falava tudo porém numa linguagem muito engraçada e até os 8 anos de idade continuou falando tudo com "T" aos invés de "D" e o "G" ao invés de "D".
(informações escritas pela mãe de Luis Antonio Gabriela no Álbum de Bebê)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
a infância...de L.A.G.

"...desde muito pequeno, muito pequeno mesmo, o Tonio tinha hábitos... comportamentos... maneiras de se expressar...maneiras de falar... de uma menina..."
"...desde muito pequeno,eu acho que com dois anos, ele já queria as minhas bonecas..."
"...fora que ele tentava molestar as outras crianças pequenas,que eram bem menores que ele... então, além de tudo,ele tinha que ser vigiado o tempo todo..."
"Ele foi se tornando um problema pra nós."
(declarações da irmã de Luis Antônio Gabriela, contando sobre a infância dele)
...
Luis Antônio - bebê

O Luis Antônio nasceu dia 11 de julho de 1953 em Mogi das Cruzes.
O casal Paschoal e Gladys não conseguiam ter filhos, então um dia Paschoal chegou em casa com um nenê no colo e disse para ela: "Adotei esse menino aqui!"
Gladys recebeu e cuidou do Luis Antônio como se fosse realmente filho dela, e depois disso ela conseguiu engravidar e teve cinco filhos,uma só menina, a irmã, três outros meninos e por último, o caçula, Nelson Antônio Baskerville.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
"Luis Antônio Gabriela" na sala de ensaio
Depois de nos encontrarmos durante alguns meses na casa do Nelson, por não ter lugar para ensaiar, o Teatro Sérgio Cardoso nos cedeu uma sala de ensaio!
Então no mês de julho passamos a nos encontrar todas as noites no Teatro Sérgio Cardoso.
Nas primeiras semanas continuamos com um trabalho "de mesa", o trabalho que o Nelson chamou de PESQUISA ARQUEOLÓGICA, pesquisando lendo e discutindo em cima do "levantamento arqueológico" ou também do que o Nelson chamou de "ruínas", tudo que foi levantado sobre a história de Luis Antônio e da sua família, diários, cartas, objetos pessoais, fotos, documentos, vídeos, depoimentos, relatos...
O Nelson começou a determinar algumas idéias sobre o espetáculo: "a história que a gente vai contar é a história do Luis Antônio"
Contando a história do seu irmão que se tornou travesti, e relatando toda a sua tragetória permeada por violência famíliar, abusos, discriminação, preconceito e descaso, o Nelson disse que a intenção da criação desse espetáculo é "contar as consequências do nosso descaso diante disso" e para o diretor, "esse espetáculo é um pedido de perdão, desculpe Tonio, eu não soube lidar com isso".
Depois de debruçados durante semanas em cima de todo o material arrecadado durante a pesquisa biográfica de Luis Antônio Gabriela, o Nelson pediu para que selecionássemos cenas, histórias e imagens marcantes do todo material levantado até então.
Todos escreveram os fatos mais marcantes para cada um em folhas de papel e organizamos na parede da sala de ensaio, tentando organizar uma primeira linha cronológica das histórias.
Cada folha dessa seria uma possível futura cena que irá compor o espetáculo.
Algumas dessas histórias que vamos contar aqui detalhadamente no decorrer do processo são: "Casa da Tony Star", "Vó Catarina" , "Parto no Banheiro" , "Askabide" , "Shows" , "Surras" , "Museu" , "Sedução e Leite" , "Primeiro de Setembro" , "Perua Rural" , "Velórios Bizarros" , "Festa 50 Anos" , "Edifício Nice" , "Álbum de Bebê" e "Árvore Genealógica".
Depois de algumas semanas o Nelson começa a conduzir o processo para um trabalho mais prático e de criação, sempre precedido de um aquecimento através da ativação e liberação da Kundalini que estimula a energia criadora, Nelson pede para que os atores investiguem individualmente, desde o aquecimento, o "TRANS" na movimentação de cada um, o trans-gressor, o trans-sexual...
Nelson se refere ao conceito de "Gestus"de Brecht e chama a atenção para a importância do "tônus" no trabalho corporal dos atores, "é preciso que o corpo tenha tônus, que no palco o corpo esteja sempre num estado de prontidão que pode mudar a qualquer momento, isso instiga e atrai a atenção do público" , sobre os gestos e movimentos dos atores Nelson diz: "gestos cotidianos não interessam, os movimentos devem ser extra-cotidianos e precisos".
Iniciam-se os primeiros estudos de performances com a orientação da Ondina e pesquisas de um trabalho de corpo, por exemplo com investigações dos corpos em relação à proteses, bixigas, ora cheias de ar, ora cheias de água e outros objetos, como roupas, acessórios, lingeries e sapatos de salto alto.
O Nelson diz que o desafio agora é "travecar, feminilizar os meninos, de modo que isso aconteça de dentro para fora" e "as mulheres, é necessário antes homossexualizar, masculinizar, para depois buscarem o travesti no trabalho corporal".
Pois a idéia inicial do diretor era de que todos, as três atrizes e os dois atores, atuariam no espetáculo como o travesti Luis Antônio Gabriela.
Em seguida o diretor pediu para que cada um dos atores escolhesse e trabalhasse em cima de um dos depoimentos recolhidos nas entrevistas com os parentes e amigos de Luis Antônio, e criasse um primeiro monólogo, que poderia se apresentado com uma proposta de cena.
Com isso a partir da união do trabalho arqueológico e de pesquisa e do trabalho prático e corporal, começam a surgir então as primeiras propostas de cenas performáticas.
Então no mês de julho passamos a nos encontrar todas as noites no Teatro Sérgio Cardoso.
Nas primeiras semanas continuamos com um trabalho "de mesa", o trabalho que o Nelson chamou de PESQUISA ARQUEOLÓGICA, pesquisando lendo e discutindo em cima do "levantamento arqueológico" ou também do que o Nelson chamou de "ruínas", tudo que foi levantado sobre a história de Luis Antônio e da sua família, diários, cartas, objetos pessoais, fotos, documentos, vídeos, depoimentos, relatos...
O Nelson começou a determinar algumas idéias sobre o espetáculo: "a história que a gente vai contar é a história do Luis Antônio"
Contando a história do seu irmão que se tornou travesti, e relatando toda a sua tragetória permeada por violência famíliar, abusos, discriminação, preconceito e descaso, o Nelson disse que a intenção da criação desse espetáculo é "contar as consequências do nosso descaso diante disso" e para o diretor, "esse espetáculo é um pedido de perdão, desculpe Tonio, eu não soube lidar com isso".
Depois de debruçados durante semanas em cima de todo o material arrecadado durante a pesquisa biográfica de Luis Antônio Gabriela, o Nelson pediu para que selecionássemos cenas, histórias e imagens marcantes do todo material levantado até então.
Todos escreveram os fatos mais marcantes para cada um em folhas de papel e organizamos na parede da sala de ensaio, tentando organizar uma primeira linha cronológica das histórias.
Cada folha dessa seria uma possível futura cena que irá compor o espetáculo.
Algumas dessas histórias que vamos contar aqui detalhadamente no decorrer do processo são: "Casa da Tony Star", "Vó Catarina" , "Parto no Banheiro" , "Askabide" , "Shows" , "Surras" , "Museu" , "Sedução e Leite" , "Primeiro de Setembro" , "Perua Rural" , "Velórios Bizarros" , "Festa 50 Anos" , "Edifício Nice" , "Álbum de Bebê" e "Árvore Genealógica".
Depois de algumas semanas o Nelson começa a conduzir o processo para um trabalho mais prático e de criação, sempre precedido de um aquecimento através da ativação e liberação da Kundalini que estimula a energia criadora, Nelson pede para que os atores investiguem individualmente, desde o aquecimento, o "TRANS" na movimentação de cada um, o trans-gressor, o trans-sexual...
Nelson se refere ao conceito de "Gestus"de Brecht e chama a atenção para a importância do "tônus" no trabalho corporal dos atores, "é preciso que o corpo tenha tônus, que no palco o corpo esteja sempre num estado de prontidão que pode mudar a qualquer momento, isso instiga e atrai a atenção do público" , sobre os gestos e movimentos dos atores Nelson diz: "gestos cotidianos não interessam, os movimentos devem ser extra-cotidianos e precisos".
Iniciam-se os primeiros estudos de performances com a orientação da Ondina e pesquisas de um trabalho de corpo, por exemplo com investigações dos corpos em relação à proteses, bixigas, ora cheias de ar, ora cheias de água e outros objetos, como roupas, acessórios, lingeries e sapatos de salto alto.
O Nelson diz que o desafio agora é "travecar, feminilizar os meninos, de modo que isso aconteça de dentro para fora" e "as mulheres, é necessário antes homossexualizar, masculinizar, para depois buscarem o travesti no trabalho corporal".
Pois a idéia inicial do diretor era de que todos, as três atrizes e os dois atores, atuariam no espetáculo como o travesti Luis Antônio Gabriela.
Em seguida o diretor pediu para que cada um dos atores escolhesse e trabalhasse em cima de um dos depoimentos recolhidos nas entrevistas com os parentes e amigos de Luis Antônio, e criasse um primeiro monólogo, que poderia se apresentado com uma proposta de cena.
Com isso a partir da união do trabalho arqueológico e de pesquisa e do trabalho prático e corporal, começam a surgir então as primeiras propostas de cenas performáticas.
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